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Mielomeningocele e Dor no Ombro

Jessica Almeida
Mielomeningocele e Dor no Ombro


“O ombro de quem usa cadeira de rodas faz o trabalho de duas articulações.”

Para muitas pessoas com mielomeningocele, especialmente aquelas que utilizam cadeira de rodas, os membros superiores participam de muito mais atividades do que simplesmente alcançar ou carregar objetos. Os braços e os ombros podem ser usados para impulsionar a cadeira, realizar transferências, sustentar parte do tronco e executar tarefas do dia a dia.

Com o passar do tempo, essa demanda repetida pode concentrar carga na cintura escapular e contribuir para dor no ombro, tensão muscular e desconforto durante as atividades.

A mielomeningocele é o contexto. A dor no ombro pode ter uma explicação mecânica: uma mesma articulação precisa participar de várias funções ao longo do dia, muitas vezes sem períodos suficientes de descanso.

VOCÊ SENTE DOR NO OMBRO?

Pais, cuidadores e pacientes podem observar alguns sinais:

  • dor durante ou após a propulsão da cadeira;
  • desconforto nas transferências;
  • queixa de cansaço nos ombros;
  • dificuldade para alcançar objetos;
  • aumento da dor ao final do dia.

Um autoteste simples é observar quando a dor aparece. Ela aumenta depois de períodos prolongados de propulsão, transferências ou sustentação do corpo com os braços? Esse padrão pode indicar uma relação com a carga acumulada sobre a cintura escapular.

POR QUE ACONTECE

Quando existe redução do controle de tronco, manter uma postura sentada estável pode exigir estratégias adicionais de compensação.

O tronco pode tender à flexão ou perder parte da estabilidade durante determinadas atividades. Nesse cenário, os membros superiores passam a participar não apenas da movimentação, mas também do equilíbrio e da sustentação corporal.

A cadeia mecânica pode ser entendida assim:

menor estabilidade de tronco → maior participação dos membros superiores → propulsão + transferências + sustentação corporal → carga repetida sobre o ombro → sobrecarga e dor.

O problema não está em uma única atividade. É a soma das demandas que o ombro recebe ao longo do dia.

COMO RESOLVER

1. Avalie o posicionamento na cadeira de rodas. Um bom ajuste pode reduzir compensações desnecessárias durante a propulsão e as atividades diárias.

2. Observe a técnica das transferências. Movimentos repetitivos realizados de forma inadequada podem aumentar a demanda sobre os ombros.

3. Inclua períodos de variação e descanso. Sempre que possível, alternar atividades ajuda a evitar que a mesma estrutura permaneça sob carga contínua.

4. Faça acompanhamento com profissionais de reabilitação. Fisioterapeutas e outros profissionais podem orientar estratégias de mobilidade, posicionamento e preservação da função dos membros superiores.

5. Considere recursos de suporte postural quando indicados. As peças da Alignmed Brasil podem ser utilizadas como parte de uma estratégia de suporte e percepção do posicionamento corporal, de acordo com a necessidade individual.

Para entender melhor como a falta de sustentação pode redistribuir a carga para outras estruturas, leia Dor nas Costas Quando o Corpo Não Sustenta Sozinho. Veja também Dor no Ombro Depois do AVC.

Conheça as opções de vestuário postural da Alignmed Brasil.

Dr. Gregory G Markarian, MD